A RESGATE DA HISTÓRIA DE
ESTÂNCIA JARDIM DE SERGIPE DEL REI
Por:Francisco de Assis O. da
Cruz
Assim
como nossos conquistadores que chegaram com esquadras cheia de proscritos,
fidalgos, realeza etc, onde foram recebidos pelos tupinambás, que não gostavam muito do modo em que os
portugueses o tratavam. E com isto gerou grandes conflitos, sendo um dos
primeiros com Garcia D´Ávila que após chegar a Santa Luzia do Itanhy do Rio
Real, e mesmo com a interferência dos jesuítas, não consegui a paz desejada,
deixando para trás, provando que a navegação sempre foi um meio de escoar e
trazer produtos de dentro do pais e de fora dele proporcionando assim um
crescimento econômico da Região, e além de propiciar à aqueles que viajavam
a negócios ou a passeio, de embarcar nos antigos Vapores e barcaças da
época.
De canoa, de barco para pegar o Vapor em alto Mar.
De canoa a remo, barco a vela, ou traineira, barcaça seu tamanho, dependendo a necessidade, não
importava, mas sim a velocidade para pegar o Vapor que ia para Salvador ou Recife. Com
o assoreamento...........................
De Burro, Mulas
Os comboios chegavam de Salvador, de Aracaju, de Recife, enfim o Burro ou a mula também foi utilizada. Os
antigos caixeiros viajantes como eram conhecidos, chegavam em comboios de mulas trazendo no seu lombo
caixotes e cassuás cheios de novidades, como fazenda, adornos femininos, e tantas outras mercadorias.
Neste desenho, vemos uma cangalha feita de couro e madeira, onde se prende os
cassuás, ou cestos.

O modo de carregar materiais dependia de como eram
armazenadas pois além do cassuá, usavam caixotes de madeiras, forquilhas para
cargas como cana de açúcar, berços para carregar barris de água e fardos de
algodão. Na rua Capitão Salomão na Praça da
Bandeira nos antigos meios fios originais que eram altos, existiam
cravado na rocha argolões onde eram amarrados os cavalos, depois com o
aterramento de algumas ruas, e rebaixamento de níveis estes meios fios foram
diminuindo e cremos que atualmente é muito difícil se ver.
dos primeiros Ford's até Salgado para pegar o
Trem.
Antigamente o único meio de ir para o norte do País ou sul ou através de Barcaças, barcos, e pegar o Navio em frente Praia do Saco, ou então de Estrada de Ferro indo até Salgado para pegar o Trem de
Passageiros o Maria Fumaça.
Outro transporte que era muito popular era a Saudosa
"Ê ê ê boiiii ! Boi Cilindro ! Ia ! Ia ! Vai pra lá Boi ! OH oh..." O Chamador com um pequeno berrante à
frente da primeira parelha de bois robustos, cada um tinha um nome, Boi Cilindro e Janjão as outras também
tinha, mas o menino de Calças Curtas hoje (Bermudas) camisa aberta a frente, chapéu de couro de aba
pequena, as vezes descalços e levando consigo uma vara linheira ( de pau d'arco ou pau ferro) com um ferrão
na ponta, guiava a carroça , lá atrás montado na prancha da Carroça, que na sua maioria tinha formatos
diferentes, algumas pranchas eram de feitas com madeiras com espessuras de uma polegada e meia, outras
eram de cipós trançados, que podia também servir de anteparos para não cair o que estava transportando Manga , Côco ou outro produto agrícola.
Havia um pequeno vasilhame que poderia
ser um chifre de boi, ou mesmo uma lata
onde transportavam graxa ou gordura de boi
ou porco para lubrificar a Bucha de Ferro no
centro da gigantes rodas de madeiras
presas por enormes aros de ferro,
manufaturados pelo simples ferreiro. Hora
quando a graxa ou gordura ia acabando
devido ao enorme atrito nas rodas, a viagem era interrompida para uma aguinha e graxa nas buchas, caso
contrário o canto era ouvido bem longe, parecia o gemido de uma Hiena, "Hiiiiiiiiiirrrrr
Hiiiiiiiiiii" não sei se
deu para traduzir o ruído mas considere por favor. O Condutor que ia na prancha da Carroça levava consigo
uma outra vara com ferrão, alem das correias guias e freios dos bois, esta vara tinha um tamanho,
dependendo a quantidade parelhas, que a carroça tinha.
Os primeiros automotores em Estância.
O primeiro veículo a explosão, foi adquirido pelo proprietário da Fábrica Santa Cruz, que segundo informações,
mandou construir um estrada (estrada de rodagem) até a cidade de Salgado, onde facilitava a ida e vinda de
pessoas e mercadorias pela Estação de Trem daquela cidade. A Festa da
vinda do primeiro carro a Estância, foi tão grande que construíram alguns
Arcos do Triunfo, imitando o de Paris mas nas cores verdes e
amarelo. .
O segundo registro foi um Caminhão Ford, pneu sem câmara (duro) com partida dada por manícula (manivela)
Depois vieram os primeiros automóveis Na ocasião era um sucesso aqueles veículos circulando pela cidade,
aliás como se faz até hoje aos domingos, as famílias passeando pela cidade, indo e
vindo e cumprimentando os conhecidos. Fundamental, chique não ?
JÁ HOUVE ÉPOCAS DE BICICLETAS DE ALUGUEL
Sr. Edgar (Guarda Municipal, Sandoval) eram nomes conhecidos que tomavam conta
das antigas bicicletas em frente a catedral e também vizinho onde era a Oficina Gráfica do Jornal A Estância à
Rua Capitão Salomão. Havia bicicletas de todos os tamanhos gostos e marcas. Merck Swiss, Monarck, Gulliver, aro fino, pneu balão, faixa branca pequenas e grandes. Outro
fato curioso eram duas Bicicletas a motor uma do Relojoeiro Sr. Antonio e a
outra pertencente ao Padre Santiago o modelo da bicicleta é mesmo
que da gravura abaixo sem o motor.

MOTONETAS, MOTOS E BICICLETAS MOTORIZADAS, ERA UM SUCESSO
Jadiel - Vilobaldo Relojoeiro, Sr. Antônio da Serraria, Sr. Antônio
"Rico" (Mecânico da Fábrica de Óleo de
Coco), Odilon da Oficina, Nicodemos da Serraria, onde hoje é um depósito da
Prefeitura na Rua Marechal Floriano (Rua do Quilombo), todas estas pessoas, tinha a máquina de última geração uma Monarck. Era e ainda é uma moto linda
modelo talvez, 40 a 46 Alemã, era um barulho ensurdecedor, a noite este pessoal reuniam-se para passear na
cidade indo até o Bairro Bonfim, um atrás do outro, era uma amizade contagiante mesmo. Era
Monark, Java. Nicodemos da Serraria foi uma das primeiras vítimas
mortais sobre duas rodas em Estância, ele tinha uma serraria na Rua do
Quilombo, onde atualmente é o deposito de veículos da prefeitura.
Uma das curiosidades motorizadas, era a Merck Swiss aro 36, pneu fino com um pequeno motor adaptado na
bicicleta preta do saudoso e amigo Padre Santiago. Com esta moto ele ia e vinha das casas dos seus
paroquianos.
De 3 a 4 horas de Viagem par Aracaju
Empresa de Transporte Macedo. Olha a Marinete ai gente !......
Vamos nos empreender em uma viagem maravilhosa nos anos 60. Senhores passageiros,
queiram tomar seus assentos, na * Marinete do Sr.Oscar Macêdo, digo ônibus , isto é
Empresa de Transporte Macedo. Oscar Macêdo era um senhor
alto de olhos claros tinham se não me engano quatro filhos
sendo tres homens e uma mulher, quase todos com estatura alta.
Fui colega do mais moço na escola de D.Joaquina. Apertem o cinto, fechem os olhos e vejam em suas mentes as imagens que vamos aqui
descrever:
O Choufier como era chamado tomava assento, enquanto que seu ajudante com
uma Manícula "Manica"como era vulgarmente chamada, uma espécie de Manivela com um comprimento de
cerca de um metro e meio ou mais era introduzida na parte da frente do carro através
de um orifício e girava,
girava, até ouvirmos uma explosões do motor kadag, kadag, kadag, Brum brum bvrum poro, poro poro e o "bicho pegava" era a velha
época que o magneto era usado muito na partida do motor a explosão. E lá se ia a Marinete pela estrada afora.
Balançava muito, furava muito o pneu, fora quando quebrava (enguiçava). "O
ajudante quase sempre viajava em cima da marinete no bagageiro
onde tinha uma escada até o teto.
Anos 60; a pequena cidade às margens do Rio Piauitinga e Piauí,
começava sofrer modificações em seu relevo histórico, naquela
época, a BR-101 começava surgir com força cortando as margens
ribeirinhas do Piauí e Piauitinga, Puxa ! admiravam-se todos aqueles
que ao viajar pela empresa do Senhor Oscar Macedo, saindo do
abrigo da Praça Barão do Rio Branco em frente a Igreja Matriz,
levava inconfortável seus 22 ou 25 passageiros toda manhã as 5:30
ou 5:00 horas para Aracaju, chegando aquela capital por volta das oito horas ou oito e trinta se tudo corresse
bem. Um detalhe quase ninguém viajava em pé, é que tinha uma tábua em cada
parelha de assentos, havia uma tábua que se transformava em
assento no corredor, onde aumentava a capacidade de transporte.
O problema é se o ultimo passageiro tivesse uma provável
dor de barriga, ou fosse descer nas Moendas perto de Salgado, no
Sapé ou outro lugar todos tinham que levantar tirar a tábua
para que o mesmo passasse, e ninguém reclamava nada, afinal era
o progresso depois do pau de Arara. O trajeto era por Salgado, passando pelo Sapé descendo e subindo passageiros, e muita das vezes
transportando latões de leite no bagageiro de baixo para outra localidade, era uma poeira infernal, mas
compensado com o alvorecer lindo do nosso Sergipe, que nos mostrava a relva fresca e molhada pelo orvalho e
um espetáculo lindo dos primeiros raios de sol que o banhava a relva. Sr. Sebastião foi um dos cobradores da
Empresa do Sr. Oscar Macedo.
Havia uma parada perto da Estação de trem de Salgado para quem ia viajar para Salvador, ou se
houvesse vaga para Aracaju, e prosseguíamos viagem até Sapé depois até Itaporanga D`ajuda, chegando lá por
volta das 7:15 ou 7:30 da Manhã para tirarmos a poeira (banho) e tomarmos café em um hotel (Um sobrado no
centro daquela pitoresca cidade).
Após batermos a poeira dos sapatos, recolocarem as brilhantinas Glostora, fixador, e as mulheres
de retocarem suas maquiagens, e colocavam seus perfumes cada uma querendo
chegar perfumada, era Royal Bryair, Seiva de Alfazema, e nesta
misturada de essências, seguíamos então viagem até Aracaju, agora em um pequeno trecho asfaltado
que era uma maravilha isto quando não éramos obrigados a parar pois a
mistura química, muitas das vezes fazia com que alguém
colocasse para fora seu café matinal Argh!. E para lá chegarmos por volta das oito ou oito e meia se não me engano, e Aracaju desde
antigamente era linda, quando subíamos a ladeira da Rua Laranjeiras e avistávamos o Rio Sergipe a paisagem
era muito bonita, cheia de saveiros e veleiros, centenas de mastros das embarcações enfeitavam a foz daquele
rio, pois traziam e levavam mercadorias das cidades ribeirinhas do São Francisco, Cotinguiba até
Aracaju naquela época não existiam edifícios altos somente o
Atalaia perto do Iate estava em acabamento. Era uma paisagem
lindíssima.
Finalmente parávamos quase em frente a Rua São Cristóvão na Rua da Frente
(Av. Ivo do Prado) em um Barraco de Madeira,
como faziam milhares de “Marinetes” que viam do interior.
Aracaju já se preparava para receber uma demanda de veículos, pois tinha acabado de destruir um
morro de Areia perto da rua Sete de Setembro para construção da Estação Rodoviária, uma maravilha para
época e com o término da construção da BR-101 a ligação com Salvador estaria então sanada, já que na época
já se ia para Recife quase sem transtorno, através de Propriá ou Neópolis.
Pois bem, naquela época ficávamos no Hotel Marozzi, ou no Aracaju Hotel.
Não recordo o ano em que a Empresa do Sr. Oscar Macêdo negociou a linha Estância Aracaju, creio que foi na
década de 60 (1960) o Senhor Sebastião, então foi transferido para a nova empresa "Empresa Senhor do
Bonfim" que trocou a parada da Rua Dr.Pedro Soares, e Praça Barão do Rio Branco, para a Rua Capitão
Salomão, precisamente no Bar Central, onde Estância recebeu os ônibus que iam para Salvador, Rio de
Janeiro e São Paulo. Além de Linhas para Indiaroba via Santa Luzia, Aracaju via Sapé, Salgador, e outras
linhas.
Um dos primeiros agentes foi Antonio filho do Sr. Geraldo do Bar, onde todos que passavam por aquela agencia
ficava logo conhecido na cidade.
Atualmente uma viagem direta para Aracaju dura cerca de 45 minutos a uma hora com todas as normas de
segurança. A responsável pela linha é a empresa Bonfim que opera em Estância, desde a cessão da linha pelo
Senhor Oscar Macedo, ao Sr. Lauro. Atualmente existem concorrentes, e muitos empresas e
transporte alternativo.Hoje a Bonfim, domina quase todas as linhas para o interior do
estado tendo também linhas intermunicipais. A mesma empresa mantém também um Jornal de Turismo, e uma
Fazenda onde se realizam grandes festas, inclusive a junina, vaquejada uma delas prestigiada pelo Beto
Carreiro.
Dos antigos Mercury, Dodges, Rurais, Aero Williams, Sincas, fuscas Opalas Landau etc e etc., Estância nunca
foi bem estruturada em relação ao famoso Carro de Praça como é conhecido, o fato é que quando se quer ir a
algum lugar, antigamente, mandava-se recado para o "Choufeïr" para acertar a corrida ou viagem, hora de ir,
ficar a disposição e voltar.
Como em toda cidade brasileira, há alguns bandalhas, que por não ter emprego, coloca seu
carro, muitas vezes em situações desastrosas, praticamente sem conforto e condições de
transportar passageiros, mas
como é Nordeste e as opções são poucas e principalmente no interior, sujeitam-nos
a isso.
Enfim necessita de uma fiscalização maus austera, pois tem muita placa fria.
Algumas Vans e Kombis, fazem também linhas regulares para os bairros e entre os
municípios visinhos.
TRANSPORTE COLETIVO NA CIDADE
PRIMEIRO REGISTRO
Fernando Silva filho do Sr. Domingos Silva foi o primeiro colocar um transporte coletivo na cidade "Ideal"
porem não durou muito. Depois veio Sr: José Branquinho, que mantinha o famoso "Cuscus" .
SEGUNDO REGISTRO
Olha o Cuscuz ai gente !.....
Na década de 60 surgiu um dos primeiros transportes coletivos de Estância, era um ônibus no inicio que
fazia Bairro Bonfim de onde saia (Proprietário Sr. José Branquinho) indo até a Cachoeira , Centro, Alagoas e
final do ponto no Bonfim.
TERCEIRO REGISTRO
Precário mas quebra o galho - quem não tem cão caça com gato.
Transportes Coletivos - Depois de vários anos surgiu em Estância o transporte de Massa. Com a expansão
urbana, e o surgimento de novos bairros e conjuntos residenciais, mais localizado na Zona Norte da Cidade, as
distâncias e a necessidade da utilização do transporte como a única alternativa para a população que vai e vem
ao centro e aos bairros, fazendo compras ou não, há real necessidade de utilização de Transporte Coletivo.
Atualmente o transporte alternativo tomou conta da cidade como
Kombis e Vans, além de táxi existem as famosas moto táxi, este último um
meio rápido, mas muito poucos deste veículos possuem capacetes para os
passageiros. Atrás na foto edifício amarelo é o Mijódromo.
Algumas indústrias também utilizaram e utilizam o meio de
transporte para com seus empregados, primeiro o pessoal que trabalha no
escritório. Lembro de uma jardineira antiga na qual o pessoal da Sulgipe e
Fábrica Santa Cruz, pegava em frente a Catedral Diocesana por volta dos anos
70. Metade da sua carroceria era de madeira.
CATAMARÃS , LANCHAS, ESCUNAS
Transporte praticamente novo nestas paragens, você vir até a Praia do Saco e Abais que pertencem ainda ao
município de Estância . Você embarca em Aracaju, conhece o Mosqueiro, Barra de São Cristóvão e chega até
a foz do Rio Real onde recebe afluência do Rio Piauí . De lá se quiser pode ir até o vizinho estado da Bahia, afinal nós éramos de lá após emancipação ficamos para
cá, estou falando de Mangue Seco - Ba. não é Sergipe. Muita gente confunde, só porque
às vezes embarcam
em Indiaroba.
ESCUNA GAZELA - Existe
ainda a opção hoje de passear pelo Rio Real indo a Mato Queimado, Terra Caída,
Crasto, Praia do Saco, Porto D´angola, e outras tantas
localidades. O percurso é feito em cerca de 40 a 45 minutos, salvo quando
não alugam para ficar o dia todo.
* Marinete - Era um ônibus pequeno com capacidade mais ou menos 20 a 25 passageiros, bancos duros,
parecendo os coletivos dos dias atuais. Para acomodar mais pessoas, entre um banco e outro, colocavam uma
tábua e a pessoa não viajava em pé. No lado de fora havia um enorme bagageiro com uma escada nos fundos do
ônibus na mesma altura da descarga, indo até o teto onde o excesso de bagagens eram ali acomodados.
Em suma parecesse hoje com um micro ônibus só que antigamente o motor era na frente e para faze-lo
funcionar tinha que ser usado uma Manícula ("manica" espécie de manivela para dar partida ao motor).
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