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  PROJETO RESGATE DA HISTÓRIA DE 

ESTÂNCIA JARDIM DE SERGIPE DEL REI

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Por: Francisco de Assis O. da Cruz

Jornalista  Augusto Gomes

Esta página só foi possível, com a colaboração de Augusto Gomes, neto do Jornalista Augusto Gomes, que é Estanciano que além de amar a cidade em que nasceu, é um dos entusiastas pelo nosso portal. 

 

Augusto Ramos Gomes nasceu em 11 de Outubro de 1872, na então Vila de Santa Luzia do Itanhy. Mudando para Estância que fica a tres léguas de distancia, fundou o Jornal A RAZÃO, o qual circulou durante muitos anos em nossa cidade. O Jornalista Augusto Gomes, sempre voltado as coisas de nossa terra, era grande freqüentador de grandes encontros de nossa sociedade, e via de perto a necessidade do nosso povo, vindo a fundar em 1895  o jornal "O Sereno". Infelizmente circulou por muito pouco tempo, mas batalhador preocupadíssimo com alguns problemas sociais naquela época, sendo também incentivado pela sua esposa, D. Hipolita sua irmã D. Laura Gomes Leite e Monsenhor Victorino, fundaram em 2 de Fevereiro de 1906 o Asilo Santo Antonio, abrigo este que ainda sobrevive, que é um marco na história da cidade de Estância. 

    

 AUGUSTO GOMES  fundador de "A RAZÃO" e o SERENO.

   Matéria enviado por Augusto Gomes Neto,  transcrita na íntegra.

 Autor: Carlos Modesto.

         Pesquisando alguns jornais do passado a fim de colher datas e notícias para um que pretendo publicar sobre os cinemas da Estância, fiquei surpreso quando encontrei esses periódicos, um que me encheu completamente de expectativa. Cito naturalmente, o jornal "A RAZÃO'. 

         Analisando página por página do referido hebdomadário compreendi de imediato a importância  do impresso material cultural que o mesmo representou para a velha geração de e que representou para a velha geração de outrora e que representa ainda para a sociedade atual e para aquela que ainda estar por vir.

          Um verdadeiro cabedal de conhecimentos valiosos para futuras pesquisas de estudantes e historiadores encontrarão no mesmo um verdadeiro tesouro de dados preciosos. 

         A "RAZÃO" não era um simples jornal no sentido literal da palavra, era como se fosse uma revista sem ilustração. A composição das matérias, o estilo gráfico e a forma da primeira fase, estava muitos anos à frente do seu tempo. O jornal "A RAZÃO" foi a criação genial de um grande homem, que não nasceu em Estância, com a tantos outros que vieram para aqui na busca do El-dourado de suas realizações, que esbanjaram o latente potencial de suas vocações, tornando-se nomes inesquecíveis da nossa cidade, do nosso estado, e por que não do nosso Brasil...

         Nasceu AUGUSTO RAMOS GOMES na cidade de Santa Luzia do Itanhy, em 11 de outubro de 1872 e faleceu em Estância no dia  20 de fevereiro de 1923.  Comerciante nato, foi o jovem AUGUSTO proprietário de várias casas comerciais, tais como:bares e papelaria. Nesta última especialidade despertou nele a sua decretada vocação jornalística.   Em 1895 fundou o jornal "O SERENO", que teve curta duração de dois anos, fechando em 1897. "O SERENO" representou para o talentoso AUGUSTO o embrião, onde ele adquiriu a experiência para criar a maior obra da sua vida.  Assim é que, no dia 11 de junho de 1898, saiu do prelo o primeiro número de "A RAZÃO", o maior e mais bem elaborado jornal feito numa cidade interiorana sergipana.       

        Um jornal que ainda é lembrado pelos antigos estancianos que leram nele as novidades e noticias do nosso imenso pais, numa época carente de tecnologias avançadas como as de hoje, onde as notícias daquele tempo eram dadas de boca-em-boca ou através dos pequenos jornais que existiam nas pequenas e grandes cidades, e aqui "A RAZÃO" dava o seu recado (e que recado!) ao povo estanciano que ficava atualizado com as notícias da época.  AUGUSTO RAMOS GOMES tinha apenas 26 anos quando saiu o primeiro número do seu importante jornal, tornando de imediato a fonte cultural mais lida pelos intelectuais e povo da terra.

       Tornou-se  AUGUSTO, um benfeitor da terra estanciana quando fundou com a sua irmã LAURA GOMES LEITE o "ASILO SANTO ANTÔNIO" (destinado aos VELHOS CARENTES), como também passou a ser diretor do HOSPITAL AMPARO DE MARIA.   Numa época de marasmo rotineiro, ele, através do seu carisma inovador levantava fundos entre os comerciantes e amigos mais abastados para proporcionar alegria aos cidadãos estancianos com realizações de festas locais. 

      Com a sua morte inesperada ocorrida em 1923 ( possuidor ainda de plena potencialidade de atividade criadora - 51 anos), a viúva D. HIPOLITA TAVARES GOMES passou a responsabilidade da editoração do periódico para um jovem também possuidor de vocação jornalística - ALFREDO SILVA, que se manteve à frente do jornal como redator até 1931 quando se retirou ( por motivos particulares) e tempo depois, fundou o jornal " ESTÂNCIA", ao lado do Dr.PEDRO SOARES eminente clínico com tendências políticas. A Partir desta data, "A RAZÃO" passa a ser editada pelo jovem LUIZ GARCIA e depois por RAYMUNDO SILVEIRA SOUZA. Nessa época ainda pertencente a viúva GOMES, que devido à dificuldades financeiras, vende o jornal ao político FRANCISCO DE ARAÚJO MACEDO.         

       Desfilando dai em diante nomes diversos que participaram  como colaboradores e redatores inclusive o meu amigo FREDERICO CAMELIER. Tendo perdido as eleições, FRANCISCO DE ARAÚJO MACEDO desgostoso, vendeu a "A RAZÃO" a ELMANO RIBEIRO que o fechou. Logo foi vendido ao intelectual e comerciante JOÃO NASCIMENTO FILHO, continuando até hoje com o nome "A RAZÃO" de propriedade da viúva D. NÚBIA NASCIMENTO. 

     Nunca deixo de citar que o povo brasileiro tem memória curta e de pouca boa-vontade de conservar as coisas boas. E Estância não fica atrás O jornal "A RAZÃO" é um desses tesouros que igualmente a pepitas de ouro se encontram escondidos.  Exemplares históricos preciosos deterioram-se dentro de velhos baús bolorentos em sotões decadentes, ou entre velhas estantes sendo corroídos pelo tempo e as traças ou em encadernações anuais encontradas em mãos de cuidadosos proprietários que herdaram dos seus genitores e os mantém até hoje.   Está na hora do nosso Secretário de Educação e Cultura Municipal arregaçar as mangas e procurar entre os felizes possuidores dos referidos exemplares dos nossos antigos jornais, e principalmente "A RAZÃO', tentar adquirir essas preciosidades e mantê-los bem conservados em nossa biblioteca, para fonte de consulta de

 estudantes e pesquisadores, onde encontrarão neles o muito do pouco que ainda resta da antiga e rica  história da nossa terra. Também, aproveito a oportunidade de fazer um MANIFESTO aos conterrâneos estancianos em prol de preservarem o que de cultural ainda existe ajudando o "SUL DE SERGIPE" que atualmente passa por uma crise fortíssima, não deixando que desapareça o último refúgio da cultura estanciana, de uma terra de homens brilhantes e literatos que deixaram impressos momentos imorredouros.       

        Como devemos ajudar o nosso jornal?... Simplesmente fazendo uma assinatura ou comprando seus exemplares. 

        O grande fundador de "A RAZÃO" foi casado com D. HIPOLITA TAVARES GOMES, nascendo dessa união seus filhos: JOAQUIM ANTONIO GOMES; MARIA DA CONCEIÇÃO GOMES BARRETO, LEONIRA TAVARES GOMES DE ARAÚJO, ANTONIO JOSÉ GOMES (falecido) RAIMUNDO AUGUSTO GOMES E GERALDO AUGUSTO GOMES.

       AUGUSTO RAMOS GOMES  foi mais um daqueles homens onde aqui encontraram a meta dos seus ideais. Em Estância ele encontrou  o ambiente adequado para dar asas a imaginação e concretizar os seus sonhos. Sonhos que se tornaram realidade que continua impressos em preto-e-branco para a posteridade, naquele jornal feito com o coração tornando seu nome imortal na história da imprensa sergipana. 

                                                                    

                                                             Carlos Modesto

                                                            Salvador, 02-10-95

 

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